Livros

Investigações realizadas pelos pesquisadores que compõem o Observatório de Comunicação, Liberdade de Expressão e Censura (Obcom) foram publicadas em livros que analisam os processos de censura, a liberdade de expressão e a produção artística e cultural no Brasil e em outros países, em diversos momentos históricos.

Conheça nossas publicações:


Privacidade, sigilo e compartilhamento

Maria Cristina Castilho Costa (org.)
ECA-USP - 2017


A liberdade de expressão tem sido o tema central das pesquisas desenvolvidas pelo Observatório de Comunicação, Liberdade de Expressão e Censura da Universidade de São Paulo (OBCOM-USP). Durante vinte anos temos estudado, a partir da documentação do Arquivo Miroel Silveira, com mais de 6000 processos de censura prévia ao teatro no Estado de São Paulo, sob guarda da Escola de Comunicações e Artes da USP, as formas de interdição que contrapõem poderes econômicos, políticos e sociais aos artistas que, por sua vez, desenvolvem potente resistência em defesa da liberdade de produção artística e cultural. Temos observado que, em tempos de ditadura ou de aparente democracia, é constante a tentativa de interditar grupos, estratos, indivíduos e cidadãos na expressão de suas ideias, críticas e denúncias, seja através de aparatos formais do estado, seja por meio de pressão mais ou menos ostensiva. Em meio a este embate entre poderes estabelecidos e artistas, governo e sociedade civil, instituições e cidadãos, as formas de censura se renovam, se complexificam, se tornam mais plurais e indiretas. Essa constatação tem levado o OBCOM-USP a atualizar suas pesquisas e a buscar sempre novos meios para a sua constante e determinada defesa da liberdade de expressão.


Percebemos, assim, que as formas de interdição, assim como os meios de resistência, estão intimamente relacionadas ao desenvolvimento dos meios de comunicação, ao aparecimento de novas formas de comunicação, relação e mediação na sociedade. As novas tecnologias, responsáveis pelo processo de globalização, têm atuado nesse embate fornecendo meios de expressão, democratizando a informação, mas, por outro lado, estabelecendo rigorosos sistemas de vigilância e controle. Para estudar esse conflito entre a liberdade de expressão e as novas formas de interdição possibilitadas pelas novas tecnologias de comunicação, o OBCOM projetou e desenvolveu, juntamente com o Instituto Palavra Aberta e com o Centro de Pesquisa e Formação do SESC SP, o Seminário “Privacidade, sigilo, compartilhamento” reunindo professores, pesquisadores, comunicadores, jornalistas, profissionais do direito, empresários, e administradores para discutir questões como a privacidade, a proteção de dados, o direito ao esquecimento e o vazamento de informações; o sigilo, seja de proteção das fontes de informação no jornalismo ou no rito processual do Direito; e o compartilhamento, ou seja, as possibilidades de publicação, divulgação, comunicação e rastreamento do universo digital e da Internet.


Os artigos aqui reunidos foram apresentados no Centro de Pesquisa e Formação do SESC-SP, quando as contradições e os paradoxos da comunicação na sociedade contemporânea foram analisados e debatidos. O presente livro traz a coletânea de textos nos quais as ideias apresentadas puderam descrever esse novo cenário para as discussões acerca da liberdade de expressão e da censura, replicando o profícuo debate que o evento ensejou. Tratando das questões tecnológicas, legais, políticas, sociais e comunicacionais que envolvem o tema, essa obra, produzida com recursos da CAPES, atualizará os argumentos que a séculos são apresentados em defesa de um bem e um direito que tem se tornado a cada dia mais importante – a liberdade de pensar, expressar e debater posições político-ideológicas através da produção cultural, informacional ou artística. Esperamos estar estimulando novos debates sobre o tema e a vigorosa defesa de nossas ideias, posições e críticas que embasam e identificam nossa maneira de ser no mundo.


Prof. Dra. Maria Cristina Castilho Costa
Coordenadora do Observatório de Comunicação, Liberdade de Expressão e Censura da Universidade de São Paulo – OBCOM-USP

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Liberdade de expressão: atualidades

Maria Cristina Castilho Costa (org)
Obcom - 2016


O Observatório de Comunicação, Liberdade de Expressão e Censura da USP – OBCOM-USP - realizou nos dias 13 e 14 de novembro de 2013, em conjunto com o Centro de Pesquisa e Formação do SESC-SP, o III Simpósio Comunicação e Liberdade de Expressão na Atualidade. O evento reuniu
pesquisadores de diversas áreas do conhecimento para analisarem os recentes eventos, veiculados pela mídia impressa, envolvendo a censura e a liberdade de expressão na atualidade.


Extinta a censura estatal, ou oficial, na maioria dos países ocidentais, diferentes mecanismos de controle vêm sendo usados para fiscalizar e interditar a livre expressão. Por meio de ações judiciais, pressão econômica, precarização do trabalho no jornalismo, classificação indicativa e outras formas de autoritarismo, livros são confiscados, espetáculos são impedidos de estrear, indenizações milionárias procuram inibir a crítica e a denúncia. Este cenário é tema da presente obra que aborda: Arte; Cinema e Televisão; Política; Educação; Mídias Digitais, Pornografia; Humor; Trabalho; Classificação Indicativa, Linguagem, Processos Judiciais, Jornalismo. 


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Piolin - O corpo e a alma do circo

Walter de Sousa Junior
ECA - 2015

Abelardo Pinto Piolin foi personagem ambíguo, de intensa personalidade artística e de inacreditável timidez pessoal, indiscreto e eloquente sob a pintura, mas recolhido e silencioso na vida pessoal, amigo de intelectuais e de circenses, comparado a Chaplin e a Chicharrão, com uma comicidade tanto grotesca quanto contemporânea. O objetivo desta pesquisa é revelar o quanto essa ambiguidade foi essencial na construção do seu tipo, desvelar o quanto a sua dramaturgia, de alguma forma autoral, atingiu seu público, que não só ratificou a opinião dos intelectuais do Modernismo, ou nunca tomou conhecimento dela, mas lotou seus espetáculos por quase trinta anos, enquanto o Circo Piolin se manteve em plena atividade.

Liberdade de Expressão e seus Limites

Maria Cristina Castilho e Costa Patrícia Blanco
Palavra Aberta - 2015

A presente obra é resultado do Seminário 2015: Liberdade de Expressão e seus limites, organizado pelo Observatório de Comunicação, Liberdade de Expressão e Censura da USP (OBCOM-USP) e pelo Instituto Palavra Aberta. Os textos reproduzidos aqui são uma seleção a partir dos trabalhos apresentados, com objetivo de aprofundar o debate sobre os desafios da liberdade de expressão na atualidade. Acreditamos que essa discussão seja relevante num tempo em que o direito à liberdade se apresenta como um desafio intelectual e cívico diante de situações limítrofes e que envolvem o ambiente da expressão e da vida midiatizada.

Diálogos sobre censura e liberdade de expressão: Brasil e Portugal

Maria Cristina Castilho Costa
ECA/ USP - 2014

Esta obra contribui de forma inequívoca para uma perspectiva comparada no domínio da censura, no Brasil e em Portugal, principalmente quando pensamos esta última como um conjunto articulado de elementos e características presentes nos sistemas políticos e mediáticos dos dois países.

Nesse ambiente atribulado e complexo, repensar a liberdade de expressão de forma comparada em dois países com heranças comuns e trajetórias diferenciadas, torna-se um enorme desafio e uma tarefa extremamente pertinente que nos Diálogos sobre liberdade de expressão e censura começa a tomar forma.

A Censura em Debate

Maria Cristina Castilho Costa (org.)
ECA - 2014

O Observatório de Comunicação, Liberdade de Expressão e Censura, da Escola de Comunicações e Artes da USP vem se dedicando a estudar e compreender esses novos mecanismos censórios e que se manifestam em diversas áreas, entre elas a opinião pública, a arte, o cinema, o humor, a sexualidade, as questões de gênero, a literatura, os meios de comunicação, o Direito. Este livro é resultado do amplo debate desse tema entre pesquisadores, professores, artistas, comunicadores e intelectuais. Dividido em mesas temáticas montadas em evento realizado em 2012 no Centro Cultural José Marques de Meio, em São Paulo, sob a coordenação do OBCOM, ele tem por propósito suscitar um debate crítico sobre as formas atuais da censura e sobre como a sociedade tem reagido ou não a elas na construção de um futuro para o país.

Censura nunca mais! A censura ao teatro e ao cinema no Estado Novo

Ana Cabrera
Alêtheia - 2013

Este livro, o primeiro volume da Colecção Media e Jornalismo, inscreve-se no contexto do projeto de investigação «Censura e mecanismos de controlo da informação no Teatro e no Cinema. Antes, durante e após o Estado Novo (PTDC/CCI-COM/117978/2010), financiado pela FCT.Este projeto visa a pesquisa e o estudo das várias facetas e a evolução dos processos e mecanismos de controlo criados pela Ditadura Militar e pelo Estado Novo, especialmente no que diz respeita à censura ao cinema e ao teatro. Pretende-se ainda compreender como estes processos foram naturalizados ao ponto de influírem nos procedimentos e formas de pensamento no tempo das democracias.Agora, já não sob a forma de censura explícita, mas como critérios ideológicos para a ação oumodus operandi que de forma inconsciente emergem na produção artística. Por isso, este trabalho abrange um tempo longo entre 1926 a finais dos anos 70. Esta investigação é realizada por uma equipa de trabalho que reúne nove investigadores de diversas áreas científicas e articula investigadores séniores, com outros que estão em diferentes níveis de formação.

A Censura Prévia ao Teatro Paulista: um enfoque informacional

Maria Aparecida Laet
Annablume - 2013

Este livro empreende a análise da censura prévia exercida pelo Estado sobre o teatro, a partir dos documentos existentes nos prontuários que compõem o Arquivo Miroel Silveira (de documentos da censura prévia ao teatro paulista), sob o prisma do gerenciamento de informações. O exercício do gerenciamento de informações costuma ser apresentado como atividade planejada, técnica, racional e neutra, exercida para a melhoria de processos. Já a censura é exercida por meio de processos burocráticos para a proteção do bem comum. Apesar dos objetivos diferentes, resultam na utilização de um mesmo recurso, que é a interferência no fluxo de informações – relacionadas à produção material, no âmbito das organizações, e relacionadas à produção artística, quando se trata da censura prévia. A partir daí, propusemos um estudo da censura prévia como um tipo de gerenciamento de informações. Para isso, analisamos o processo burocrático da censura prévia ao teatro enfocando alguns casos concretos: peças censuradas entre as décadas de 1930 a 1960. Ao final foi possível verificar que o gerenciamento de informações realizado através da censura permite que o Estado se aproprie de informações sobre a produção teatral e das pessoas a ela relacionadas, puna aqueles que expressam ideias divergentes e coíba a resistência à sua ação.  

Comunicação, Mídias e Liberdade de Expressão

Maria Cristina Castilho Costa (org.)
INTERCOM - 2013

O tema da liberdade de expressão tem alcançado uma dimensão diferenciada daquela que historicamente se firmou entre os estudiosos da comunicação e das mídias. Isso porque os meios reguladores e de censura deixaram de ser exclusividade do Estado e passaram a ser operados por diversos agentes sociais. A criação do GP Mídias, Comunicação e Liberdade de Expressão na Intercom possibilitou a reflexão dessas novas formas de controle da produção artística e dos meios de comunicação, assim como das antigas estruturas censórias que sedimentaram a prática social da proibição e do corte. Os 22 artigos reunidos neste volume abordam desde temas como a obscenidade, a opinião pública, a cobertura midiática, a censura ao cinema, ao teatro e ao circo, até a censura nas emergentes mídias digitais e a interpretação da liberdade de expressão pelas gerações atuais. Enfim, uma reflexão indispensável de pesquisadores da sociedade contemporânea.

Seminários sobre Censura: Núcleo de Pesquisa em Comunicação e Censura (NPCC/ECA/USP)

Maria Cristina Castilho Costa
FAPESP/Balão Editorial - 2012

Seminários sobre Censura: Núcleo de Pesquisa em Comunicação e Censura (NPCC/ECA/USP), organizado pela Profa. Dra. Cristina Costa, com apoio Fapesp, é uma coletânea de ensaios produzidos a partir das diferentes atividades do Núcleo (NPCC) – seminários internos, seminários abertos ao público e participação em congressos. A publicação é resultado desse esforço de pesquisa e de interpretação dos mecanismos censórios empregados ao longo da história, analisando suas várias dimensões e impactos na sociedade e na cultura. O livro traz também artigos produzidos especialmente para a publicação, com o intuito de expandir o debate, alinhado com o propósito da obra, que é levar ao público as diferentes dimensões da pesquisa em torno da censura e tornar públicas as memórias que estão sendo recuperadas.

Repressão e resistência: censura a Livros na Ditadura Militar

Sandra Reimão
EDUSP - 2012

Este livro aborda a censura oficial à cultura e às artes e, especificamente, a livros de ficção de autores brasileiros durante a Ditadura Militar Brasileira. O estudo dos atos censórios do Departamento de Censura e Diversões Públicas (DCDP) em relação a livros nos possibilita delinear alguns elementos dos mecanismos de censura e também refletir sobre a repercussão desta censura no universo da produção da cultura brasileira. Inicialmente, Sandra Reimão traça um panorama histórico da atuação censória nos governos militares em relação á cultura, às artes e aos livros em particular. A partir do quadro geral traçado no capítulo inicial, a autora se detém, nos capítulos seguintes, em alguns casos de vetos censórios a textos de ficção de autores brasileiros: os livros Feliz Ano Novo, de Rubem Fonseca, Zero, de Ignácio de Loyola Brandão, Dez histórias imorais, de Aguinaldo Silva, Em câmara lenta, de Renato Tapajós, e os contos “Mister Curitiba”, de Dalton Trevisan e “O cobrador”, de Rubem Fonseca, publicados na Revista Status. - 

Mixórdia no Picadeiro- Circo-teatro em São Paulo (1930-1970)

Walter de Souza Junior
Terceira Margem - 2011

O circo-teatro, gênero que surge de intenso processo de hibridismo cultural, mostra-se como expressão popular numa metrópole em construção, agregando mestiçagens e msiturando referências. Assim, influencia tanto o movimento intelectual modernista quanto a emergente cultura de massa. Baseado nos processos de censura do Departamento de Diversões Públicas de São Pasulo, hoje parte do acervo do Arquivo Miroel Silveira, da ECA/USP, este livro revela, de forma inédita, a importância do circo-teatro na formação cultural paulista e brasileira. 

Censura, repressão e resistência no teatro brasileiro

Maria Cristina Castilho Costa
Annablume / Fapesp - 2010

O livro Censura, repressão e resistência no teatro brasileiro, organizado pela professora Maria Cristina Castilho Costa, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) tem sobretudo, o intuito de divulgar os estudos que são, e que podem ser, feitos a partir do Arquivo Miroel Silveira.

O livro é dividido em duas partes, Na primeira, a autora conta um pouco da História da censura no Brasil e de como esta prática foi desde o Brasil Colônia, fazendo-se cada vez mais indispensável às instâncias de poder tornando-se um importante mecanismo de controle da produção cultural do país.

Para tanto, a autora identifica uma união entre diversos setores da sociedade e o Estado, no intuito de coibir qualquer pensamento crítico que pudesse questionar ou mesmo modificar a sociedade então existente. Entretanto, Cristina Costa nos diz que embora a censura tenha sido uma grande perda para a produção cultural no Brasil, hoje os processos existentes no Arquivo Miroel Silveira é um rico material que possibilita um vasto campo para estudos no sentido de entender, não somente a censura em sí, mas também como a sociedade lidava com ela.

A segunda parte do livro traz entrevistas de grandes nomes do teatro brasileiro que tiveram contato, direta ou indiretamente, com a prática da censura. Autores que tiveram de lidar com censura e censores, que tiveram trechos ou peças inteiras censuradas.

Nomes como Renata Pallottini, José Celso Martinez Correa, Clóvis Garcia, César Vieira e outros, nos trazem suas vivências, seus medos, assim como belas histórias, que nos obriga a refletir sobre um passado pouco distante ao mesmo tempo em que revela a importância em se documentar visões particulares e memórias coletivas que jamais devem ser esquecidas.

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Comunicação e Censura: o circo-teatro na produção cultural paulista de 1930 a 1970

Maria Cristina Castilho Costa
Terceira Margem - 2010

O livro traz o cenário da produção de circo-teatro em São Paulo, revelada a partir do Arquivo Miroel Silveira. Obteve-se uma prova irrecusável da inter-relação histórica entre palco e tela, entre teatro, cinema e televisão, desvendando um cenário cultural fluído e híbrido, que os estudos acadêmicos muitas vezes não reconhecem.

O circo-teatro representou um apoio indispensável ao desenvolvimento da dramaturgia e da encenação nas primeiras décadas do século passado, momento em que São Paulo possuía poucas casas de espetáculo e o Rio de Janeiro era o centro hegemônico da produção artística brasileira. Foi no picadeiro que se encenaram grande parte dos textos dessa época, assim como foram as companhias circenses que levavam os espetáculos para o interior do Estado. Tornou-se possível à população rural conhecer o teatro e, por meio dele, obras literárias nacionais e estrangeiras.

Como o próprio nome aponta, o circo-teatro é uma entidade híbrida, misto de espetáculo sério e puro entretenimento, de família e empresa, de nomadismo e perenidade, de tradição e experimentalismo, de estrangeirismo e brasilidade. Foi esse seu caráter instável e mambembe que permitiu a inovação e as iniciativas mais audaciosas. Foi sob a lona dos circos e no resguardo das famílias circenses que as primeiras gerações de atrizes profissionais foram iniciadas. Foi ali também que muitos técnicos em montagem, figurino e cenografia puderam se especializar, numa época ainda bem distante da fundação das primeiras escolas artísticas profissionais.

Mais uma vez, a FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) forneceu o apoio necessário à pesquisa, mantendo sua postura inequívoca de fomento à ciência e de preservação da memória. Também a Universidade de São Paulo, através da Pró-Reitoria de Pesquisa, deu suporte ao desenvolvimento da equipe do Arquivo Miroel Silveira.

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Na cena paulista, o teatro amador, circuito alternativo e popular de cultura (1927 - 1945)

Roseli Figaro Paulino; Maria Marta Jacob; Bruno Salerno Rodrigues; Flávia Cristina Yacubian
FAPESP / Ícone - 2010

O livro coordenado por Roseli Figaro, Na cena paulista, o teatro amador, circuito alternativo e popular de cultura (1927 - 1945) vem ressaltar a importância do teatro amador para a formação cultural da população de São Paulo. Tendo como fonte os processos de censura prévia do Arquivo Miroel Silveira, o livro procura resgatar a memória deixada pelas companhias teatrais que estavam fora do circuito profissional do teatro no estado de São Paulo, dando visibilidade ao circuito alternativo, que na visão da organizadora teve uma participação bastante expressiva na formação cultural do estado.

A importância deste teatro, organizado em sua maioria, por grupos amadores de associações de bairro, grêmios, sindicatos de trabalhadores, núcleos de imigração e outras comunidades, nos dá a clareza da forma como os grupos sociais procuravam formar sua identidade. Seja como classe trabalhadora, onde o teatro era um excelente instrumento de conscientização política, seja a preservação cultural do imigrante que procurava se inserir na nova sociedade ao mesmo tempo em que facilitava a união entre seus pares, o teatro amador teve grande repercussão no período analisado.

O livro, que teve o apoio da FAPESP, também se preocupa em expor ao leitor os métodos de pesquisa empregados. Desde os problemas propostos para a análise, o olhar com que se tentaria responder as questões propostas, até o motivo pelo qual se deu o corte temporal, a autora expõe seu método de trabalho deixando preciosas dicas para aqueles que pretendem estudar o assunto.

O livro conta ainda com a participação da professora Maria Marta Jacob, que escreve um artigo sobre os principais temas encontrados nas peças do circuito alternativo de teatro, como a questão da família e temas que deste se originam, como fidelidade, infidelidade, filhos, amor, e outras questões ainda, como política, consciência de classe e sociedade. Bruno Salermo Rodrigues é outro pesquisador que contribui no livro, escrevendo um ensaio sobre a comunidade Lituana, que teve uma participação expressiva no ano de 1942.

O autor procura entender como uma comunidade que não se igualava, em números, à comunidade portuguesa ou italiana, pode ter tido a participação tão grande no período analisado. Já a pesquisadora Flavia Cristina Yacubian trabalhou em seu texto com a questão da memória deixada por estes grupos. Através de entrevistas de personagens que tiveram participação direta ou indireta nas organizações que montavam as peças, ela procura entender qual a importância do teatro amador no cotidiano dos habitantes da cidade de São Paulo.

O livro conta ainda com listas classificativas como informações sobre as peças do circuito alternativo, presentes no Arquivo Miroel Silveira de 1927 a 1945, um mapa do circuito alternativo e popular de cultura na cidade de São Paulo, e outras relações estatísticas encontradas na pesquisa, o que faz do livro um ótimo material para consulta àquele que pretende pesquisar tema. Tendo sempre incluída a questão da censura e seus desdobramentos na sociedade, Roseli Fígaro nos apresenta uma outra história.

Uma historia que não fora contada pelos órgãos oficiais e que deixaram pouquíssimos testemunhos. Neste sentido, a autora ressalta a importância do Arquivo Miroel Silveira como uma importante fonte de pesquisa que pode elucidar muitas questões sobre a história dos vencidos, dos oprimidos e das minorias. Em suma, Roseli nos traz um tema vasto e ainda bastante obscuro sobre a história que fora contada em outros palcos.

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Palavras Proibidas: pressupostos e subentendidos da censura teatral

Mayra Rodrigues Gomes; Eliza Bachega Casadei; Natália Favrin Keri; Pollyanna Reis da Cruz
Fapesp / Bluecom Comunicação - 2010

O livro Palavras Proibidas, de Mayra Rodrigues Gomes, é mais uma exposição do trabalho realizado no Arquivo Miroel Silveira. Com apoio da Fundação de Amparo a Pesquisa de São Paulo, a professora da Escola de Comunicações e Artes, que ministra disciplinas ligadas à linguagem, propôs pesquisas que se detivessem no estudo relacionado às palavras proibidas que constam nos processo de censura pertencentes ao Arquivo Miroel Silveira.

O livro propõe o estudo das palavras proibidas partido das teorias das Análises de Discurso. Trabalhando pela via interdisciplinar, compreendendo que é preciso entender a natureza do texto tanto do ponto de vista da construção textual quanto da produção de sentido, Mayra refaz os passos do censor e interpreta-o como integrante da sociedade que o cerca, onde o discurso, visível nas palavras proibidas, é o produto de seu subjetivo particular mas também reprodução dos costumes, da cultura, da política desta sociedade.

O livro, que conta com a colaboração das pesquisadoras Eliza Bachega Casadei, Natália Favrin Keri e Pollyanna Reis da Cruz, foi dividido por décadas, de 1920 à 1960, escolhendo-se duas peças por ano. No início de cada capítulo há uma síntese do contexto histórico de cada década, que ajuda a compreender por que determinada palavra, censurada na década de 20 por exemplo, não o foi nas décadas subseqüentes, explicitando como mesmo os discursos tem prerrogativas diferentes em momentos diferentes.

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Teatro, comunicação e censura

Maria Cristina Castilho Costa
Terceira Margem / Fapesp - 2010

Este livro reúne textos expressivos do Seminário Internacional A Censura em Cena, realizado na Escola de Comunicações e Artes da USP, em outubro de 2006. Apresenta textos de relevantes pesquisadores e artistas engajados em debater a censura às artes no Brasil e em Portugal, realidades históricas aproximadas por uma tradição censória.

Cada capítulo está dividido segundo a organização de mesas que compuseram o seminário. Dessa forma, apresenta uma divisão que é também de temáticas relevantes para o debate da censura à produção artística. Depoimentos são mesclados com textos de pesquisas acadêmicas, gerando um debate polissêmico.

A publicação tem o objetivo de aprofundar e disponibilizar as informações acerca da censura sobre as artes, especialmente o teatro, no Brasil e em Portugal, apresentando informações que estavam para além dos documentos, armazenados na história de vida daqueles que viveram períodos de censura e nas trocas entre pesquisadores.

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Teatro e censura: Vargas e Salazar

Maria Cristina Castilho Costa
EDUSP - 2010

Com base em informações extraídas dos processos censórios existentes no arquivo Miroel Silveira, da ECA-USP, e na Torre do Tombo, em Portugal, Cristina Costa mostra a íntima relação que existiu entre o Estado Novo de Getúlio Vargas e o de António de Oliveira Salazar. A cumplicidade política e os acordos bilaterais influenciavam o que acontecia nos palcos, nas políticas culturais e nos órgãos censórios. Enquanto os palcos apresentavam-se repletos de influências de companhias portuguesas, ainda que houvesse certo repúdio dos modernistas que se contrapunham à imitação de modelos, Vargas importava de Portugal o modelo de controle da expressão artística que veio a aplicar o Departamento de Imprensa e Propaganda – o DIP, como testemunham documentos existentes nos dois países. Neste livro, a autora traça também um quadro cronológico sucinto da presença do teatro no Brasil e suas relações com Portugal.

Censura em Cena: teatro e censura no Brasil

Maria Cristina Castilho Costa
Edusp / Fapesp / Imprensa Oficial - 2008

O livro traz os primeiros resultados do estudo científico - sociológico e histórico - do Arquivo que hoje leva o nome de Miroel Silveira, através de pesquisa financiada pela Fundação e Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - FAPESP e do apoio com bolsas de Iniciação Científica concedidas pelo Conselho Nacional de Pesquisa - CNPq.

Esperamos, com este trabalho e com as informações disponibilizadas, permitir que o leitor avalie o custo do arbítrio que incidiu sobre a nossa produção artística, mutilando obras, descontextualizando-as, impedindo o amadurecimento artístico do público e disseminando a auto-censura.

Promovendo esse debate e divulgando os dados que obtivemos junto aos documentos do Arquivo Miroel Silveira, bem como as informações a que tivemos acesso através da realização de entrevistas, de pesquisas bibliográficas e do estudo de outras fontes de documentação, temos por objetivo avivar a memória do público e revelar o montante de nossas perdas, prevenindo-nos contra outros movimentos de interdição.

Ninguém tem o direito de impedir o encontro mágico do público com a obra de arte e com seu autor. A interdição desse encontro mutila a arte, impede o pleno desenvolvimento da cultura e cerceia o amadurecimento artístico da população.

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