Arte, censura e revolução

Os artistas e agentes culturais que viveram no período da ditadura militar, de 1964 a 1985, aprenderam a conhecer a censura oficial – repartição pública, com seus funcionários, sua sede em Brasília, suas regras burocráticas. Ultrapassado esse período, é preciso aprender a reconhecer a censura à produção artística de hoje, com seus vários disfarces e novas vestimentas. 

Uma das primeiras e mais constantes formas atuais de censura é a que chega aos artistas através dos interesses mercadológicos. Muitos dos empreendimentos culturais e artísticos no Brasil dependem, hoje, do auxílio financeiro privado ou oficial. Mas, para isso, é preciso que o conteúdo ou a forma do empreendimento artístico agrade aos donos do capital. 

Fatores de ordem moral também aparecem na base de episódios de cerceamento da expressão artística. Outra poderosa fonte de interferências no universo da Arte tem sido, novamente, a religião, em suas várias facetas. 

Outra questão diz respeito ao risco, no caso de alguns suportes midiáticos, sobretudo a televisão, de que os produtos sejam pensados única e exclusivamente para manter a audiência.  O perigo, nesse caso, é que autoria, interpretação e todas as formas de produção deixem de prestar atenção à qualidade ou qualquer objetivo estético das obras veiculadas. 

Diante desse cenário, é objetivo deste eixo conhecer as formas censórias que atingem diretamente a Arte, em suas várias expressões, nos dias de hoje. Tal proposta é fundamental para que, de todas as maneiras, seja possível evitar o avanço da censura.