Censura e humor

O eixo de pesquisa aborda as relações entre humor e censura. Emerge como foco importante, por conseguinte, o tema dos limites do humor, em maior ou menor medida traçados pela capacidade que as sociedades democráticas possuem de forjarem os seus próprios sistemas de valores. 

Algumas questões se colocam em nosso horizonte: quais os limites éticos, além dos quais o riso não seria mais possível? Como estabelecer tais limites em uma época de incertezas, na qual assistimos ao rompimento das crenças estáveis, dos sistemas simbólicos e das linguagens públicas? 

Um segundo roteiro para reflexão diz respeito aos tabus que as sociedades possuem e às interdições tácitas decorrentes de tais tabus. Nesse caso, estão em jogo muitas modalidades diferentes de humor, incluindo o chamado “politicamente correto”. 

Ainda que a liberdade de expressão seja a base de todas as democracias e esteja consagrada na maioria das cartas constitucionais, há alguns tópicos nos quais a  liberdade de expressão não pode ser garantida: é o caso da fraude,  da difamação, da calúnia e da obscenidade. 

De todas essas categorias, a obscenidade é a mais complexa e os grandes processos de interdição e censura nessa área ocorrem no campo do humorismo. De fato, nos últimos anos, as batalhas jurídicas mais famosas pela liberdade de expressão, no plano internacional, surgiram em decorrência do uso humorístico de certas palavras. 

Ao mesmo tempo, vivemos hoje um momento em que os códigos humorísticos se disseminaram a tal ponto que não sabemos mais definir o que é o humor. Ele se torna, pois, uma espécie em extinção. Estudar o humor em todas as suas modalidades não constitui apenas um esforço para defini-lo, mas também um empenho em preservá-lo da extinção.