Comunicação e censura no mundo do trabalho

Este eixo de pesquisa propõe a discussão sobre a censura à comunicação no mundo do trabalho. De fato, para além da censura às manifestações reivindicadoras de melhores condições de trabalho, há a interdição a qualquer tipo de expressão individual fora das regras da empresa. Há mesmo a interdição da palavra no local de trabalho. 

Esses interditos – sejam de natureza produtiva, sejam de natureza moral – tornam-se particularmente vigorosos no século XX, em função da racionalização do trabalho decorrente do avanço da industrialização e da expansão do capitalismo. 

Com o poder público abstendo-se de tratar de tais questões, o mundo do trabalho constitui um espaço silenciado. Ele só emerge na cena pública quando os trabalhadores exercem o direito de reivindicação e de greve – e, nesse sentido, a comunicação aparece como contravenção às leis que regulam a propriedade privada.  

Hoje, com a crise capitalista internacional, a forma como as grandes empresas organizam a produção é colocada em cheque. Diante do desafio de ampliar a produtividade, surge um novo modo de racionalização dos processos de trabalho: a comunicação passa a ser valorizada, mas como diálogo monitorado pelas metas de produção. O que temos é a palavra controlada, monitorada, imposta. 

Por tudo isso, a comunicação no mundo do trabalho permite identificar usos e níveis diferenciados de estratégias comunicativas. As investigações realizadas têm mostrado que as formas de controle das expressões autônomas dos trabalhadores impedem a liberdade de criação no trabalho. Os limites da liberdade de expressão são limitadores da atividade de trabalho e, sobretudo, do exercício à cidadania.