Desafios da atualidade

O eixo de pesquisa investiga a censura e a liberdade de expressão na atualidade, com foco na configuração da opinião pública sobre essas temáticas.
   
A censura já não se apresenta nos países ocidentais de acordo com o modelo burocrático e estatal instituído e consolidado na Modernidade, do qual o Arquivo Miroel Silveira é exemplo. Esse foi o modelo desenvolvido em quase todos os países, tendo sido utilizado inicialmente pela Igreja Católica para coibir as heresias que ensejariam a Reforma Protestante. 


No século XX, esse modelo de censura fez parte do projeto nazifascista de Estado que se instalou em diversos países, como a Itália, Espanha, Portugal e Brasil. Também fez parte do modelo stalinista adotado pelos países membros da União Soviética. 


Com o estabelecimento de governos neoliberais na Europa e na América, foram eliminados os órgãos de fomento, controle da produção artística e cultural e fiscalização dos meios de comunicação. Nesse cenário, desapareceram os órgãos oficiais de censura. 


Extinguir os órgãos censórios oficiais não significa, entretanto, pôr fim à censura. Estamos, hoje, diante de processos de interdição plurais, difusos, indiretos e internacionais. Esses novos processos apresentam-se como mais adequados a um capitalismo neoliberal, informacional e globalizado. 


O Observatório de Comunicação, Liberdade de Expressão e Censura da Universidade de São Paulo (Obcom) tem como objetivo, justamente, mapear essas formas contemporâneas de controle e cerceamento da informação e da produção simbólica.