Gênero e mulher

Este eixo de pesquisa junto ao Obcom tem como objeto de atenção as relações entre gênero, sexualidade, liberdade de expressão e formas de controle ou interdição, considerando também o papel dos meios de comunicação nesse terreno. A pesquisadora responsável possui extensa trajetória de pesquisas sobre gênero, mulher e, também, censura. 

No mundo contemporâneo, os corpos de homens e, especialmente, de mulheres são cada vez mais expostos em posições frequentemente insinuantes nos variados suportes midiáticos. Com isso, o limite que separa erotismo de sexualidade e da chamada liberação de costumes fica cada vez mais esgarçado. 

A sociedade brasileira, por meio de veículos de mídia massiva, vem conferindo ressignificações à sexualidade, sem necessariamente recorrer a ações censórias. Hoje, é possível ler palavras e expressões, anteriormente próprias da literatura erótica, em suportes midiáticos de grande circulação social, sem que isso provoque reações de leitores ofendidos. 

Parece que estamos diante de um quadro em que é permitido a personagens masculinos e femininos, em condição de igualdade, proferirem palavras e expressões, na grande mídia, relativas à temática da sexualidade. 

Entretanto, isso só pode ocorrer em condições específicas – desde que os personagens estejam protegidos pela diagramação do jornal, pela natureza do periódico ou pelo perfil do público leitor. Tal processo não deixa de configurar também uma outra forma de censura. 

É preciso lembrar, nesse sentido, que a cultura brasileira é herdeira de uma forte tradição censória. E essa herança atinge não apenas as possibilidades de expressão nos meios de comunicação e nas artes, mas também os costumes relativos ao corpo e à sexualidade.